Grupo SAS leva telecolposcopia à Amazônia e pretende ampliar acesso à saúde para mulheres ribeirinhas
- Ana Beatriz Arruda

- 1 de out. de 2024
- 2 min de leitura
Movimento iniciado pelo Lab SAS Brasil & Unicamp levou para uma comunidade no noroeste amazônico exame ginecológico que permitirá conectar paciente e profissional de saúde a milhares de quilômetros
O câncer de colo do útero é o 3º tipo de câncer mais comum em mulheres. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que para cada ano do triênio 2023-2025, serão registrados mais de 17 mil casos novos de câncer de colo do útero. Caracterizado pelo crescimento anormal e descontrolado de células, o câncer cervical normalmente é causado por uma infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV) e pode ser prevenido e tratado com eficácia quando identificado precocemente.

É nesse cenário que a SAS Brasil desenvolveu um projeto com foco na saúde da mulher para a prevenção e tratamento do câncer de colo do útero. Como uma das soluções de acesso, o projeto tem utilizado a telecolposcopia para potencializar o exame preventivo realizado pelas mulheres, evitando até oito etapas (entre consulta, retorno, encaminhamento para especialista, colposcopia, biópsia e início do tratamento).
Na telecolposcopia, a paciente conta com presença física de uma enfermeira e o acompanhamento remoto de um médico especialista.
Além disso, os profissionais de saúde têm apoio de um algoritmo gerado a partir de um banco de imagens que faz parte de um projeto de inteligência artificial. A ferramenta sinaliza, entre as imagens recebidas, aquelas que têm maior risco de serem um câncer, auxiliando principalmente na exclusão dos casos que não são câncer de colo do útero e na antecipação do diagnóstico daquelas com padrão alterado.
Na região norte do país, a cada 100 mil mulheres, aproximadamente 20 são diagnosticadas com o câncer de colo do útero, sendo o segundo mais incidente na região. A elevada taxa de incidência e mortalidade são resultado da grande extensão territorial, de áreas remotas, de difícil acesso. Esse contexto dificulta a presença de equipes médicas, registrando 1,19 profissionais por 100 mil habitantes, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM).
A ideia é que esse cenário possa ser impactado pela chegada da telecolposcopia. Em um projeto piloto do Living Lab SAS Brasil & Unicamp, o equipamento necessário para a realização foi enviado para a comunidade de Assunção do Içana, no Alto do Rio Negro, onde uma equipe de saúde foi treinada para a realização do exame.
Depois da capacitação, a expectativa é que as mulheres que tiverem alguma lesão suspeita possam coletar a biópsia, encaminhar para análise e, em caso de ser câncer, iniciar o tratamento com muito mais rapidez e em um estágio menos avançado, onde pode ser resolvido com procedimentos simples como a cauterização da área afetada.
“Com esse método de rastreio organizado, que desde 2014 conta com o apoio da Roche Brasil, conseguimos evitar que centenas de mulheres gastem tempo e dinheiro viajando centenas de quilômetros até os grandes centros urbanos para realizar um exame que para cerca de 50% delas não demandará mais nenhuma conduta” – Adriana Mallet, co-fundadora da SAS Brasil
A médica, ideializadora do exame, complementa: “garantimos que aquela porcentagem de mulheres que realmente vai precisar de uma investigação mais aprofundada consiga atendimento mais rápido e sofra menos, tendo acesso a um diagnóstico precoce e um tratamento mais simples”.



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